Hainer defende modelo do Bayern: “Nossa independência é o bem mais precioso do clube”
Presidente do Bayern, Herbert Hainer falou sobre a rotina no clube, defendeu a independência financeira dos bávaros e explicou como tradição e modernização caminham juntas em Munique.

O Bayern de Munique se orgulha de ser diferente. Em entrevista ao jornal francês L’Équipe, Herbert Hainer, presidente do clube bávaro, falou sobre a rotina no comando de uma das maiores instituições do futebol europeu, defendeu o modelo de gestão do Bayern e destacou a independência como um dos pilares centrais da identidade do clube.
Torcedor do Bayern desde a infância, Hainer afirmou que acompanha o clube desde a era de Franz Beckenbauer e que estar hoje na presidência é, ao mesmo tempo, uma honra e um prazer.
— Cresci como torcedor do Bayern. Ia ao estádio desde a época de Beckenbauer. Para mim, este trabalho é uma honra e também uma alegria. Tenho a sorte de acompanhar de perto equipes de altíssimo nível: vejo todos os jogos do futebol masculino, vou aos jogos do feminino sempre que posso e também acompanho o basquete. Quem poderia reclamar? — disse.
Apesar do encanto pelo cargo, o dirigente reconheceu que a função exige mais do que imaginava. Segundo ele, o Bayern vive em movimento constante.
— No geral, é mais trabalhoso do que eu imaginava. Mas isso é bom. No Bayern, há coisas acontecendo todos os dias. Trabalhamos sete dias por semana.
A presidência do Bayern também carrega uma pressão particular. Na Alemanha, quase tudo o que acontece no clube ganha repercussão nacional. Além disso, figuras históricas como Uli Hoeneß e Karl-Heinz Rummenigge continuam tendo voz ativa no ambiente bávaro.
Para Hainer, isso não é um problema. Pelo contrário: ele vê os ex-dirigentes como parte da força institucional do clube.
— Primeiro, é preciso merecer esse tipo de atenção. Uli Hoeneß e Karl-Heinz Rummenigge são lendas do futebol. É natural que a imprensa queira ouvi-los. Dentro do clube, nós valorizamos muito a presença deles. Outros clubes contratam consultores externos. Aqui, eles são como família.
O presidente citou a escolha de Vincent Kompany como exemplo desse funcionamento interno.
— Quando decidimos contratar Kompany, dissemos: “Rummenigge, ligue para Pep Guardiola”. Kompany trabalhou com Guardiola no Manchester City, e Pep poderia nos dar uma opinião qualificada. Recebemos rapidamente um dos melhores retornos possíveis.
Hainer também minimizou a ideia de que declarações públicas de Hoeneß ou Rummenigge possam enfraquecer sua autoridade ou gerar ruídos internos.
— Não vejo dessa forma, porque o que eles dizem costuma estar alinhado internamente. Quando Rummenigge afirmou que Olise não estava à venda e que queríamos renovar com Harry Kane, isso já era algo que o clube havia comunicado em outras entrevistas.
Um dos pontos mais fortes da entrevista foi a defesa do modelo bávaro. Em uma Europa cada vez mais dominada por fundos de investimento, bilionários e Estados, Hainer reforçou que o Bayern segue um caminho próprio.
— O Bayern continua sendo diferente. Não dependemos de grandes investidores para tomar decisões. Muitos clubes gigantes têm oligarcas, fundos ou governos por trás. Nós construímos tudo com nosso próprio trabalho. Nossa independência é o nosso bem mais precioso.
Segundo o presidente, essa independência também se reflete nas contas do clube. Hainer destacou que o Bayern registrou lucro em todas as temporadas dos últimos 25 anos, inclusive durante a pandemia de Covid-19.
Para ele, a ideia de família não é apenas discurso institucional.
— Pode parecer fácil dizer isso, mas realmente somos uma família. Veja o caso de Harry Kane. Existe uma cláusula que permitiria sua saída caso quisesse voltar à Inglaterra. Mas isso nunca foi uma questão. Ele se sente em casa em Munique.
O Bayern, porém, sabe que tradição e independência não significam isolamento do mercado. Hainer admitiu que, para competir no mais alto nível, o clube também precisa fazer grandes investimentos quando necessário.
A contratação de Harry Kane por 95 milhões de euros foi citada como exemplo.
— A concorrência está cada vez mais forte, principalmente por causa do poder dos clubes ingleses. A Premier League recebe cerca de 4 bilhões de euros por ano em direitos de transmissão, enquanto a Bundesliga recebe cerca de 1,2 bilhão. Se precisamos de um jogador como Kane, nós o contratamos.
Ao mesmo tempo, Hainer destacou que o equilíbrio do Bayern passa pela combinação entre grandes reforços e jogadores formados ou desenvolvidos internamente.
— Também temos jogadores como Musiala, Pavlovic, Stanisic e Karl. Nesta temporada, dez talentos da nossa base fizeram sua estreia profissional. Essa mistura nos ajuda a vencer e, ao mesmo tempo, manter uma gestão financeira saudável.
Questionado sobre as diferenças em relação ao Paris Saint-Germain, Hainer adotou um tom respeitoso. O presidente do Bayern elogiou a reconstrução do clube francês e a atuação de Nasser Al-Khelaïfi.
— Tenho enorme respeito pelo que o PSG fez. O que Nasser construiu é gigantesco. O que mais me impressiona é a reflexão que eles fizeram nos últimos anos: perceberam que um modelo baseado em estrelas como Neymar ou Messi não funcionava e que precisavam seguir outro caminho.
Para Hainer, a chegada de Luis Enrique foi parte decisiva desse novo projeto parisiense.
— O PSG contratou Luis Enrique, um treinador que trabalha bem com jovens, e formou uma equipe com a qual os torcedores conseguem se identificar. Identidade é essencial. O PSG se reinventou e hoje pertence à elite do futebol mundial.
Tradição também foi um tema central da entrevista. Hainer reconheceu que, em um futebol cada vez mais global e comercial, manter as raízes pode ser um desafio. Mas, para ele, a tradição só vira peso quando é tratada como algo imóvel.
— Se você insistir que tudo precisa ser feito como antigamente, a tradição vira um fardo. Mas, se você pensa em como aplicar no presente aquilo que fez o clube ter sucesso, ela se torna uma vantagem.
O dirigente lembrou a equipe dos anos 1970, campeã europeia com Beckenbauer, Gerd Müller e Sepp Maier, para explicar a importância de manter ex-jogadores próximos da gestão.
— Sempre tentamos integrar ex-atletas à estrutura do clube, porque o esporte está no centro de tudo o que fazemos.
Hainer também citou tradições mais simbólicas, como a visita dos jogadores aos fã-clubes no período de Natal e a presença dos elencos masculino e feminino na Oktoberfest usando trajes típicos da Baviera.
Ao mesmo tempo, o Bayern busca expandir sua relação com torcedores ao redor do mundo.
— Celebramos títulos usando lederhosen, a roupa tradicional bávara, e depois viajamos em agosto para Hong Kong e Coreia do Sul. É uma convivência que funciona. Nosso DNA não tem preço. Ou você tem, ou não tem. Ele não pode ser comprado. A tradição não é uma peça de museu: nós a vestimos por baixo da camisa.
Para os próximos anos, Hainer acredita que a missão do Bayern é preservar sua essência sem deixar de evoluir.
— A atual gestão entende que o Bayern precisa manter seus valores centrais e ser um clube que vive esses valores todos os dias. Desde o início do meu mandato, eu disse: o Bayern jamais pode se tornar apenas mais uma empresa de futebol.
Ao falar sobre orgulho, o presidente citou o ano de 2020, quando o Bayern conquistou seis títulos, mas afirmou que a dimensão social do clube é algo ainda mais marcante.
— Ganhar seis títulos em 2020 foi um momento extraordinário. Mas o que realmente me orgulha é a responsabilidade social do Bayern. Beckenbauer e Hoeneß colocaram esse senso de responsabilidade dentro do clube.
Hainer encerrou destacando o projeto “Vermelho contra o Racismo”, iniciativa do Bayern contra qualquer forma de discriminação.
— Em tempos tão turbulentos, as pessoas buscam união, e o Bayern é um lugar onde elas encontram isso. Por isso, deixo um recado a todos que tentam dividir: nunca, especialmente aqui. Quem exclui os outros acaba fracassando, no esporte e na vida.

Autor
Lucas Oliveira
Redator sênior
Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Popbola, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.
Ver tudo Lucas OliveiraArtigos relacionados
Bayern de Munique x PSG Palpite | Análise, Escalações e Odds – 06/05
Confira os palpites, análise e odds de Bayern de Munique x PSG pela UEFA Champions League.
Bayern de Munique Feminino x Barcelona Feminino Palpite | Análise, Escalações e Odds – 25/04
O Bayern de Munique Feminino recebe o Barcelona Feminino neste dia 25/04 (sábado), no Allianz Arena, às 13h15, em mais um capítulo da UEFA Champions League Feminina.
Bayer Leverkusen x Bayern de Munique Palpite, Escalações | Copa da Alemanha – 22/04
Bayer Leverkusen e Bayern de Munique voltam a se encontrar no BayArena, neste dia 22/04 (quarta-feira), às 15h45, com um passado que complica qualquer prognóstico.
Bayern de Munique x Stuttgart Palpite | Análise, Escalações e Odds – 19/04
Bayern de Munique e Stuttgart têm um histórico que nunca decepciona o fã de futebol. Os dois se reencontram neste dia 19/04 (domingo), no Allianz Arena (Schlauchboot), às 12h30, pela Campeonato Alemão 2025/26.



